Pois
é meus amigos, agora está dando para contar mais sobre a minha
experiência de viver na Índia. E uma das minhas maiores surpresas é a
diferença de temperatura que a Índia oferece!! O
Eduardo quando chegou aqui em maio, ele disse ter pego 49º graus!!!
Gente, vocês tem idéia do que é 49º graus??? Carioca da gema... Adoro
sol... Mas quando o Rio de Janeiro aponta para os seus 42º graus, fico
pedindo socorro a todo instante!! Eu
cheguei em meado de agosto e não peguei o auge do calor, mas pude
sentir aquela sensação de desespero que é maior a que eu tinha no Rio.
Eu acordava de manhã cedo e era como se eu tivesse acabado de chegar da
praia!! A pele fica inchada... Aquela sensação de cansaço toma conta do
corpo!! Nós não tínhamos instalado ar condicionado ainda no
apartamento, então a solução era ligar vários ventiladores e mesmo
assim não era suficiente. Tem ventilador na minha cozinha e no meu
banheiro!! É muito quente!! Sair do apartamento e encarar o sol era
desaconselhável... então era chá de apartamento, ventiladores, banhos,
banhos, água, mais banhos e mais um banho... Ah! deixa eu tomar mais um
banho!! “please”!!! hehehe
Quando
chegou dezembro o calor excessivo já tinha ido embora e as noites já
eram mais frescas. Era um frescor agradável sem precisar mais do ar
condicionado, nem para dormir. Mas ai, fomos para o Brasil e nos
deparamos com o calor do Rio de Janeiro!! Hehehe... Calor que nada!!
Mel na chupeta de neném!! Dizer que o calor do Rio é horroroso... “tá
maluco”!! O calor do Brasil é maravilhoso!! Hahaha... “tô” brincando
gente, também nem tanto, né?!! É que mesmo comparando com o calor da
Índia... A saudade do Brasil é tanta que o calor não é nem um pouco
sofrido e sim uma curtição só!! Mas tive que deixar o meu Brasil e
voltar para a minha nova residência... A Índia!!
Só
que ao contrario da minha primeira chegada na Índia... Encontrei um
frio horroroso!! Imaginem vocês, uma carioca, que com 15º é motivo para
pegar aquele casaquinho básico!! Com 4º!!... imaginem o meu estado!! E
o pior é que meu guarda-roupa de carioca só tem casaquinhos basiquinhos
da feirinha do Alto (saudades de Terê!!), meias de algodãozinho curta
para tênis... Só calça jeans!!! E... Já dá para ter uma leve idéia, né?
Pois é... E a Giulia?? Desespero total!! Enfiei nela 2 calças, 5
blusas, 3 meias... A louca aqui entupiu a filha de roupas!! A Giulia
nem conseguia andar direito com tanta roupa!! kkkkkkk. Mas o meu
desespero foi sanado com uma belíssima compra de um aquecedor e várias
roupas de frio!! de algodão?? Não!! Isso é coisa para carioca!! É tudo
de lã “meRRRmo”!! Quero aproveitar e agradecer a todas as minhas amigas
tagarelas e a minha amiga Aline, pelas dicas maravilhosas que me deram!!
O
frio parece estar começando a dar trégua. E a vantagem que tiro disso,
depois ter passado esse sufoco inicial do inverno daqui, é que posso
usar e abusar daquelas roupas chiquérrimas, com direito a luvas,
cachecol... E ai, virou pura diversão!! Hehehe Agora eu... Moro... Num pais tropical!! Que tem um friozinho europeu!! Que chato isso, né? hehehe
Nossa
primeira viagem na Índia – Jaipur uma cidade “Pink”!
Há
quanto tempo eu não pegava uma estrada...
Aproveitamos
que segunda-feira foi feriado aqui na índia em comemoração ao aniversário de Mahatma Gandhi e pegamos estrada rumo a Jaipur.
Jaipur fica no estado de Rajastão, um lugar
conhecido como a cidade rosa. É muito interessante entrar na cidade antiga e
ver todas as construções pintadinhas de rosa. Uma viagem de um pouco mais de 3
horas de carro. Se não fosse um contratempo que tivemos na ida a viagem teria
sido perfeita. Pois é... Vocês acreditam que a gente bateu de carro? Mas essa parte eu vou deixar o Eduardo
contar. Pois tem muitos detalhes, que não conseguirei esmiuçar! Hehehe... Aguardem
que essa até eu estou louca para ler!!
Bem, eu prefiro contar a parte boa da viagem.
Arquitetura!! Obvio!! O que mais me encanta?? Como diz o meu digníssimo
marido... Só gosto de coisa velha!! Mais é a pura verdade! Adoro antiguidade!
Adoro captar cada detalhe esculpido, desenhado, projetado... E foi isso que eu
vi muito nesta cidade. Tirei muitas fotos e fiz vários vídeos que pretendo
colocar aqui no álbum aos poucos.
Chegamos ao sábado à tarde e no caminho para o hotel
já dava para ver as maravilhas que a cidade proporcionava. Gente, a parte
antiga da cidade é todinha rosa!! Muito encantadora e muito interessante
observar os detalhes da cidade e sua arquitetura. Elefantes.. Muitos elefantes!! Ficamos encantados
com os elefantes e a Giulia pedia para ver mais! (Tais!Tais! – na linguagem
dela). Tiramos muitas fotos e fiz questão de abrir um álbum só com fotos dos
elefantes!
Uma das arquiteturas mais marcantes e uma das mais
famosas do lugar é o palácio Hawa
Mahal, que foi construído pelo marajá Sawai
Pratap Singh. É impressionante a arquitetura
deste palácio. Tem diversas janelas e o intuito era das mulheres do marajá
poder observar a vida cotidiana. Uma coisa muito engraçada que nos foi dita por
um motorista local é que esse marajá tinha 365 mulheres... Uma para cada dia do
ano!! Hahahaha... Nem quero imaginar o que as mulheres faziam durante os 364
dias sem estar com o marajá.
Infelizmente não exploramos o centro desta cidade
devido ao tal contratempo que tivemos na ida, mas ficou o gostinho da vontade
de voltar e “perambular” pela cidade e subir nos elefantes, né? Imagina... Uma
foto minha num elefante... Que lindo!! hehe
No domingo fomos visitar um "Amber Fort".
LINDISSIMA!! Não sei se terei tanta habilidade em explicar tudo ou demonstrar
além que as fotos podem oferecer, mas tentarei. Bem, assim que chegamos no
forte, nos deparamos com muitas pessoas numa enorme fila que ficamos na dúvida
se estávamos no lugar certo, pois eram duas filas, uma só para os homens e
outra para as mulheres e crianças... Abordamos um guarda e perguntamos a ele se
estávamos no lugar certo e ele nos encaminhou para uma outra porta diferente da
que estávamos. Descobrimos que aquela fila de homens e mulheres é para um templo que tem ao lado do forte... E ficamos impressionados com tamanha
devoção demonstrada por eles. Vimos uma cena que entendemos ser como um
pagamento de promessas. Um homem indo em direção ao templo de forma que eu
nunca tinha visto. Ele deitava no chão, de barriga para baixo, estendia os
braços e com uma das mãos ele marcava o limite que da outra mão estendida,
levantava e posicionava os pés na marcação que tinha feito e repetia todo o
processo de se deitar e marcar, todos olhavam para ele com um olhar de
admiração. Foi interessantíssimo presenciar tal cena. Bem, fomos para a nossa
entrada que não era o do templo e nos deparamos com tanta gente na fila que
fica difícil de saber onde começa ou onde termina a fila. Aqui parece não ter
uma boa organização nos lugares de visitação, mas enfim, precisamos passar por
essas dificuldades... E uma delas é tentar manter a tranqüilidade, pois
tínhamos medo de nos perder e com tantas
pessoas que se tinha, num lugar completamente diferente para nós é muito
confuso e muitas vezes amedrontador. Eu sei que pode soar um pouco de exagero,
mas é uma sensação de medo que deu quando estamos tentando entrar no forte.
Aqui é cobrado um ingresso para cada adulto mais taxas para cada equipamento
fotográfico e filmadora o que achei bem diferente. Finalmente chegamos à
entrada do forte... Valeu a pena!! Que lugar impressionante!! E a cada passo
que dávamos víamos coisas interessantíssimas e muitos, muitos detalhes a serem
admirados. Nesse primeiro espaço onde tirávamos fotografia eu percebi que eles
estavam fazendo uma reforma do lugar e me deparo com uma cena que ao mesmo
tempo para mim foi linda, intrigante e questionadora. Três mulheres indianas
vestidas de saree, carregando sobre suas cabeças uma bacia com um tipo de
argamassa. Eu já tinha visto essa cena, próximo de minha casa, mulheres
trabalhando como se fossem homens, mas eu não tinha visto de tão perto e não
pude deixar de fotografar. Enfim... Seguimos com o passeio pelo interior do
forte. Uma sala que me chamou muita atenção pelo trabalho que deve ter sido
para executar... Um mosaico com espelhos recortados formando flores em todo
teto e parede. Os espelhos não eram retos, eram côncavos o que valoriza mais
ainda a arte. Se eu for descrever cada detalhe que fiquei admirada... nunca vou
terminar esse texto!! Hehehehe, prefiro que vocês tentem admirar as fotos que
eu tirei. Admirar a paisagem de cima do forte era algo também impressionante,
víamos o contorno da muralha fechando a cidade. Dois pátios internos com um
belo jardim é um dos destaques desse lindo forte. Já estava quase escurecendo e
precisávamos voltar para o hotel. Ah! Já ia me esqucendo de contar uma
coisinha... hehehe A Giulia a cada dia está famosa!! Hehehe, não por ser famosa
e conhecida, mas por ser solicitada para tirar fotos com ela. O fato da Giulia
ser loirinha, chama muita atenção deles e a todo lugar que fomos sempre tinham
pessoas indianas querendo fotografar ao lado dela. Cheguei a filmar um grupo de
adolescente formando uma turma para tirar foto e com o Eduardo e a Giulia no
meio dela. Muito legal, pena que a bateria da filmadora acabou logo no
finalzinho, pois foi muito divertido. Indo para o hotel o nosso guia nos
encaminhou para um lugar que se vendia de tudo!! Olha só o perigo!! Compras!!
Eu me seguro muito para não sair comprando aqui e o pior é que temos cara de
estrangeiros. Não preciso falar mais nada, né? Hehehe Só saímos com 2 tapete de lá!! Hahahaha, pelo
menos a minha casa terá muitas coisas lindas da Índia!!
...
No domingo, fomos visitar o Museu do Palácio da
cidade (City Palace Museum). Belíssima!! Tem uma exposição de carros antigos,
roupas, quadros, livros... uma raridade que para quem aprecia fica horas e
horas olhando e prestando atenção nos mínimos detalhes. Aqui a arquitetura é
muito diferente e eles exploram muito as cores e não tem medo de usá-las. Tudo
tem motivos de florais. Falar em Índia para mim hoje é falar de flores, pois
tudo tem flores... Nas roupas, nas bijuterias, na arquitetura... é um
verdadeiro mar de flores!! Hehehe... E como eu sou fascinada por flores me
encanto com tudo!! Para fechar essa visita com chave de ouro, na saída do
palácio advinha o que vimos? Um encantador de serpentes!! Peguei a minha câmera
e filmei a linda cena!! A Giulia ficou louca, alias todos nós ficamos
maravilhados com as serpentes e com o canto da flauta do indiano!!
...
Um arquitetura diferente!!
Visitamos nesse mesmo domingo um observatório,
chamado Jantar Mantra. Que lugar mais interessante!! Se não fosse pelo sol
escaldante ficaríamos umas 5 horas olhando com calma cada peça deles. Tentando
resumir o que se tem por lá... É um grande pátio aberto, com várias peças em
concreto. Vários com escadas para direções diferentes para se observar o céu.
Outros com formatos e ângulos para se calcular as horas. Deve existir uns três tipos
de relógio solar neste local. Outra coisa bem legal de ver são as 12 peças do
zodíaco, com escadinhas orientadas para o sentido exato da constelação. Pena
que era de dia, pois admirar e ver as constelações de cada signo zodíaco deve
ser fascinante. Tirei fotos de todas as figuras desenhadas, que representavam
os signos, que ficavam presas nas peças. Linda as figuras!!
Essa foi a nossa ultima parada em Jaipur e ficamos
com muita água na boca e deveremos voltar lá varias vezes!! Pois tem muita
coisa a ser explorada por lá. Principalmente a divida que ficou de andar de elefante,
né?? Hehehe
Mas essa eu ainda não escaparei!!
EXTRA! EXTRA!
Além
dos mosquitos, vespas, ratos e morcegos...
Adivinham
quem veio nos visitar hoje de manhã na minha casa??
Quem
dá mais?? Alguma aposta??
Dou-lhe
uma! Dou-lhe duas!... alguém dá mais??
Ta
bom, ta bom... Eu vou contar logo!! Vou matar a curiosidade de vocês, mas vou ter
que contar como aconteceu...
Estávamos
eu e minha mãe conversando na cozinha, quando eu vejo surgir na minha área de
serviço um macaco. Arregalei os olhos e apontei para ele e disse para minha mãe...
Um macaco!!! Minha mãe virou-se assustada e não sabia se corria, se ficava imóvel.
Kkkkkk, pois é.... E não pensem que era desses macaquinhos pequenos que temos
no Rio de Janeiro perambulando pelas arvores da zona sul. Era um macaco de
quase um metro de altura, desses que a gente só vê no zoológico!! Ficamos eu e
minha mãe pasmas e na mesma hora fui correndo pegar uma maquina para fotografar
o macaco... Mas infelizmente o macaco foi embora... na certa percebeu que não
ia ganhar comida de duas mulheres assustadas!! hehehe
Agora
eu preciso confessar uma coisa. Sinceramente eu não sei se fico preocupada com
o aparecimento do macaco, ou se deixo comida para ele vir me visitar
novamente!! Hahaha.... Eu sei, Eu sei... sou uma louca em pensar nessa
possibilidade. Mas eu fico admirada em ver esses bichos tão bonitos e tão próximos
da gente. Não sei se eu preciso rever meus conceitos ou se preciso voltar para
um lugar menos selvagem!! Me fez lembrar até o filme dos Sem-Florestas!! É
exatamente o que acontece aqui. Gurgaon é uma cidade que está crescendo rápido
demais e os bichos não tem mais para onde ir. As árvores são arrancadas e nos
lugares delas são construídos prédios. Então eles vêm em busca de alimento...
Só que nas nossas casas!! hehehe
Eu
estava terminando de escrever meu texto sobre a viagem que fizemos para Jaipur,
mas depois desse episódio com o macaco, precisei vir aqui correndo contar para
vocês!!
Um mês na Índia
Fizemos
um mês que estamos na Índia no dia 15. O que dizer sobre esse mês??
Bem...
imagino que para qualquer pessoa que vai morar em algum lugar diferente é lógico
e notório um período de adaptação.
A
nossa adaptação é um mistério.... hehehe... digo mistério, pois a cada dia é um
dia. Tem dias tranqüilos e tem dias muito complicados. Tive um dia um dia muito
complicado... Além de moscas varejeiras, vespas, marimbondos e mosquitos que
sempre nos visitam... Um rato e um morcego resolveram nos visitar também!!
Bem,
um morcego voar e entrar numa janela não é de se surpreender... mas um rato
chegar no 7º andar e entrar no meu apartamento foi realmente um fato bastante
inesperado e muito assustador!!
Vou
contar como tudo aconteceu...
Um rato em minha casa!!
Dia:
12/09/06 - terça-feira
Minha
mãe acordou cedo e levou um baita susto quando viu um rato correndo para
debaixo da geladeira. Ela na mesma hora foi me acordar contando o acontecido e
eu não exitei e acordei o Eduardo. Fomos nós três armados de vassouras, rodo e
água fervendo!! Olhamos, espiamos... e nada... Faço uma pergunta simples para a
minha mãezinha: Você tem certeza de que você viu um rato??
Ela:
Claro que eu vi!! Poliane, Você acha que eu ia inventar que vi um rato?
Eu:
Não mãe, só estou perguntando... sei lá, podia ser que você tivesse tido
somente a impressão.
E
continuamos a nossa busca pelo rato e nada!
Mesmo
não tendo achado o rato, fiquei pensando sobre o assunto e me lembrei de um
trecho do livro da Angela
Kretschmann, que os indianos não matam os ratos, pois os ratos além da vaca
e da serpentes são considerados sagrados na religião Hindu. Só para vocês terem
uma idéia rápida do que estou falando tem um templo dedicada a uma deusa
chamada Karni Mata que
vivem 200 mil ratos no interior desse templo. Com isso a proliferação de ratos na Índia
tem sido uma grande preocupação, pois é uma praga quase indestrutível.
Continuando...
Dia:
13/09/06 - quarta-feira
No
dia seguinte, abrindo as gavetas da cozinha... percebemos uns grãozinhos pretinhos.
É... só podia ser cocô de ... cocô de que?? COCÔ de RATO!!
Eu
e minha mãe olhamos uma para a outra e chegamos a conclusão de que aquele rato
que ela tinha visto, estava perambulando dentro do armário da cozinha. E ela
não podia deixar de falar para mim: _Viu? Não estou ficando maluca! Eu vi um
rato entrar minha filha!! E eu tive que ouvir essa caladinha, né? Hehehe
Bem,
abrimos as gavetas, cuidadosamente, mas nada de ver o bichinho.
Eduardo
chamou uma agencia para desratizar o apartamento. A empresa chegou e não dá
para descrever o susto que eu levei quando o homem abriu a 1ª gaveta e ver o
rato pular assustadoramente para dentro da outra gaveta! Até o homem quase
enfartou de susto. Enfim, por duas vezes o rato dá a sua escapulida e corre
para debaixo da geladeira. Cansada de ficar bisbilhotando a caça do rato, fui
para dentro do apartamento. Minha mãe me aborda me perguntando se eu não teria
que ficar lá “vigiando” a captura do rato. Bem, não gosto muito de ficar parada
“fiscalizando” ninguém, muito menos aqui. Não gosto da idéia de acharem que não
confio no trabalho deles. Enfim... Voltamos à cena do crime... hehe... a
cozinha, e derrepente eles disseram que o rato tinha ido embora. Como assim??
Quero ver o bicho!! E pelo visto não era possível, pois eles disseram que o
rato tinha saído pela área de serviço e como o Eduardo disse... Suicidou-se!!
Hehehe. Mas a minha mãe não convencida, e desconfiada do jeito que ela é, não
acreditou muito no que eles disseram. Enfim, eu acreditei. Porque não
acreditar??
Dia:
14/09/06 - quinta-feira
Como
todo dia que estamos vivendo aqui... Acordamos, tomamos o nosso café da manhã e
já elaboramos o cardápio do almoço da Giulia. FRANGO!! Todos os dias aqui
comemos frango!! Quando chegar ao Brasil não vou querer comer frango!! Nem pão
de forma!! Nem vou mais tomar o famoso nescafé com leite!!
Uma
pausa para expor o que sinto todos os dias...
...Ai
que saudade da minha carne vermelha e sangrenta! Ai que saudade do pãozinho
francês! Ai que saudade do cafezinho preto e caseiro, ai que saudade do meu
feijão preto!! hehehe
Pronto,
continuando...
Estamos
eu e minha mãe elaborando o almoço da minha filhota quando abrimos uma gaveta
cheia de cocô e xixi de rato!! Perai, não entendi nada!! Essa gaveta ontem não
tinha nenhum vestígio de rato!! Minha mãe olhou para mim e obvio que disse que
o rato continuava no armário. Eu não pude acreditar na possibilidade daquele
rato estar ainda na minha cozinha. Será que eram dois ratos?? Será que aquele
rato que a empresa disse ter fugido, voltou? Ou será que o rato nem fugiu e a
empresa me engambelou?? Ai, Ai, Ai, Ai.... Fiquei apavorada. O que fazer?? Bem,
a empresa tinha deixado um tipo de ratoeira que é um papelão com uma
super-cola. Com muita cautela, abri a porta que fica ao lado do gaveteiro,
abaixo do fogão, onde fica o botijão de gás. Na mesma hora que eu abri eu vi um
rato por trás correndo para as gavetas!... Soltei um grito, desses bem
femininos e irritantes que nós mulheres adoramos fazer!! Você está rindo??
Vocês não viram nada!!
E
agora?? Tem um rato na minha cozinha, na minha cozinha tem um rato!! E eu, sou
uma mulher ou um rato?? Eu não estava acreditando que eu “Poliane” que não sou
medrosa, estar apavorada com uma situação daquelas! Vamos lá, não vou me deixar
vencer por um rato! Sou maior que ele... hehe... Será?? Hahaha.
Bem,
tive a brilhante idéia de colocar a ratoeira na mesma porta que eu o avistei,
pois a minha intuição dizia que ele iria voltar para aquele lado a qualquer
momento. Coloquei a ratoeira, fechei a porta. Agora era a parte pior, pois
depois de ver aquele bichinho, fica mais difícil de fazer qualquer coisa. Abrimos
gaveta por gaveta e nada do rato aparecer. Voltamos para a porta que deixamos a
ratoeira e PIMBA! Estava ele grudado naquela super-hiper-ultra-cola!!! ECA! Que
coisinha mais nojenta! O pior é vê-lo grudado e remexendo, tentando sair
daquela ratoeira! Mas o rato foi capturado e colocamos ele do lado de fora da
nossa cozinha e aguardamos a empresa recolher o rato dali da nossa casa.
Ufa!
Que alívio!! Mas o pior era agora desinfetar todas as gavetas e utensílios da
nossa cozinha, pois precisávamos tomar muito cuidado com a urina do rato, por
conta da leptospirose.
Nesse ínterim... A empresa chegou e recolheu o rato. E aproveitou para colocar
um produto contra as moscas, vespas, marimbondo e mosquitos que nos visitam
todos os dias aqui. Só que para a nossa surpresa a Giulia tinha que sair do
apartamento e não estávamos preparadas para isso. Foi uma correria e no fim de
tudo a minha mãe teve que descer com ela e ficar entre 30 a 60 minutos lá em baixo
num calor insuportável. Foi extremamente cansativo para a minha mãe essa
situação pois a Giulia não se conformava com o fato de ter que sair de casa sem
mim. O fato é que eu me comunico melhor no inglês que a minha mãe... então era
melhor a minha presença com a empresa para qualquer problema. Enfim, terminado
o serviço, minha mãe sobe com a Giulia dormindo em seus braços e minha mãe com
uma cara de chateada por ela não ter sido avisada dessa situação. Não tinha
como voltar atrás e precisávamos manter a calma, pois ainda tínhamos que
continuar a limpar a cozinha. Ficamos o dia inteiro limpando e escaldando,
limpando e escaldando... Minha mãe ficou com os dedos escamando de tanto
produto de limpeza e água quente. Finalmente acabávamos de limpar tudo! Eu e
minha mãe estávamos mortas de cansadas!
Pensei
em ligar para o Eduardo e pedir para ele comprar umas cervejas, pois depois
desse perrengue todo eu precisava de pelo menos uma tulipa para extravasar o
cansaço!
Bem,
Ainda tinha algumas coisas para colocar em ordem então eu fui ao quarto, onde
será meu escritório, para guardar umas tralhas que estavam na cozinha e levo
outro susto. Um morcego rondando o quarto. Outro grito estérico?? Não!! Dessa
vez eu levei um susto mesmo, pois não sabia realmente se era um morcego ou um passarinho.
Já estava bem escuro e o interruptor estava longe para ligar a luz. Gente,
depois do perrengue do dia, não podia fechar sem um lindo morcego voando no meu
escritório, né?. Minha mãe morria de rir de mim!! Pelo menos isso serviu para
nos divertir, pois a estória do rato não foi nada engraçada. Toda vez que eu
tentava ligar a luz o morcego parecia querer vir em minha direção!! Agora sim
eu soltei os gritinhos...kkkk, pô também não sou de ferro, né?! E minha mãe
morrendo de rir de mim... Liguei a luz e depois de outros sustos, outros gritos
e outras risadas da minha mãe... hehehehe... o Morcego pousou na janela e ficou
todo encolhidinho.
Obvio, que eu aproveitei e tirei uma foto, né? Pois, quem vai
acreditar em tudo que estou contando sem registrar o fato! Depois abri todas as
janelas para que o morcego tentasse achar a saída e foi assim que ele foi
embora. Será que ainda teremos mais alguma surpresa?? Não!! Pelo menos fomos
dormir iguais uns anjinhos, pois depois desse dia não tem como não apagar de cansaço.
Vendo a Índia como ela é! (acho que já escrevi sobre isso...hehehe)
É,
eu sei que o relato de hoje está bem comprido, mas vale a pena mostrar um pouco
de como estou vivendo aqui e porque essas coisas aconteceram comigo, pois não foi
por acaso não. Aqui na Índia, em todo lugar, existe uma grande população quase
que na miséria. E todos os dias quando eu acordo, eu olho para a janela e vejo
uma realidade muito dura que é muito difícil de entender.
Num relato antigo
meu, mencionei que os funcionários das obras moram em torno das construções e
no meu condomínio tem muitas obras acontecendo, consequentemente muitas
“favelas” se formaram em torno delas. De manhã bem cedinho, várias pessoas saem
de suas “barracas” e vão tomar banho num piso de concreto com um cano com
várias saídas de água. Em torno desse local se vê uma vala com muito lixo. Não
tenho certeza se eles usam essa água, mas de longe da minha janela se tem a
impressão que sim. Não é de se espantar os motivos pelos quais se tem tantas
moscas e mosquitos dentro da minha residência. Ou melhor, a Índia inteira tem
moscas! Não estou exagerando. Até nos shoppings vimos moscas rondando. Nos
lugares onde a limpeza é bastante rígida se tem moscas. Como pode isso? É
simples, aqui ainda não tem um sistema de coleta de lixo diário. Existem “favelas”
instaladas ao longo das ruas e em torno de todas as obras que tem por todos os
lados. Acredito até que no final de todas essas obras será possível melhorar o
aspecto visual de sujeira que visualizamos na cidade, enfim, vamos aguardar e
torcer para isso. Não sei se fico tão feliz, ou se isso é uma ironia, mas essas
pessoas estão empregados, mesmo que sendo um trabalho quase escravo, pois eles
ganham muito pouco, quase o mesmo que o nosso “bóia fria” do Brasil.
Não
sei se vocês já tiveram alguma curiosidade para saber sobre a densidade
populacional da Índia. Se compararmos com o Brasil que é a nossa referencia
vejam só os números:(fonte: http://pt.wikipedia.org)
Brasil:
Área
(Km²): 8.511.965
Densidade (Hab/Km²): 21
Índia:
Área
(Km²): 3.287.590
Densidade (Hab/Km²): 328
Pois
é... É incrível a densidade demográfica da Índia, né? Eu já sabia que a Índia
era muito “populosa”, mas não imaginava que era tanto. Sabemos que a miséria é
igual em qualquer canto do planeta, mas o que nos assusta é quando vemos a
miséria em tão grande escala. Enfim, essa é a realidade que eu tenho vivido
aqui nesse primeiro mês na Índia. Essa foto que ilustro aqui é da janela de
umas das minhas varandas.
Um resumo rápido...
Obviamente
aqui não é só miséria. Neste lugar onde estou morando, Gurgaon, é uma cidade muito
nova. Muitos prédios modernos, condomínios belíssimos e muitos shoppings.
Existem carros de todos os tipos, além dos demonstrados no meu álbum, “Os veículos”,
existem automóveis de luxo e automóveis muito conhecidos por nós no Brasil,
como da Toyota e do Honda. A Comida daqui é muito apimentada e condimentada,
mesmo não apreciando nada dessa modalidade “apimentada”, já consegui apreciar
alguns pratos típicos. Mas por enquanto ainda prefiro a comida internacional. Para
o nosso alimento, encontramos no mercado vários legumes e frutas similares e
iguais aos nossos. Estamos comendo o nosso arroz e feijão de cada dia daqui,
menos o nosso suculento bife acebolado, hehhehe. Mas estamos satisfeito apesar
da saudade de saborear a nossa culinária tipicamente brasileira.
As
roupas são os de mais interessante aqui na Índia. Aqui faz um calor extremo e
mesmo assim as mulheres usam os seus típicos “Sarees”. E cada um mais lindo que
o outro. Obviamente tem uns bem cafoninhas... hehehehe, mas tem uns que são de
babar!! Alias aqui tem cada loja vendendo cada tecido de querer comprar todos!!
Já sei, vocês devem estar imaginando “euzinha” descendo do avião trajando um
saree, né? Hehehehe, Quem sabe??? Ainda não me aventurei em nenhuma compra de
um saree, mas confesso que comprei um sapato tipicamente indiano e uma “curta”,
que é parecido com as nossas “batas”.
Bem,
vamos deixar assunto para outros relatos, né?!! Hehe
Se
vocês tiverem perguntas, não fiquem tímidos em perguntar! Perguntem! Aos poucos
tentarei responder a todos aqui na minha página!
Saudades de todos!
Feriado para vocês e dia
normal para mim...
No ano passado nesta mesma
data, eu elaborei uma brincadeirinha com a Giulia. Comprei um papel grande
branco e tintas “guache” para pintar o “7” ...de setembro! Resolvi fazer o mesmo esse
ano. Agora estando na Índia, fica com um gostinho de brasilidade mais
acentuada. Resolvemos pintar o “7”
novamente e foi muito divertido. Aproveitei para colocarmos a camisa do Brasil
e tudo!!
A Giulia adorou quando eu
pintei a bandeira do Brasil na mãozinha dela... E como a copa foi a pouco tempo
ela ficava gritando....GOOOLLLLLL!! Todas as bandeiras do Brasil para ela é
sinônimo de Gol... Hehehe... Muito fofa!
Depois resolvemos descer
para o condomínio e brincar com ela.
Aqui o dia amanhece mais
cedo e anoitece mais tarde... As 5:30 da manhã já tem sol e fica até as
19:30/20:00 claro. É bom que o dia rende muito mais! E a Giulia pode curtir o solzinho tranquilamente.
Comunicação com o meu Brasil...
Tenho conseguido falar com
a minha irmã quase todos os dias pela internet. O que é a tecnologia, né? Imaginar
que a séculos atrás as noticias chegavam a cavalo!! Hehe.
Com essa ferramenta
maravilhosa consigo manter meus trabalhos, consigo diminuir a saudades da minha
família e amigos e com isso fica muito mais fácil de nos adaptar. Falar com a
minha irmã todos os dias pelas manhãs é como se ela estivesse morando conosco,
é muito bom. A Giulia já até sabe que é a titia ou a vovó na internet. No dia 7
de setembro tive uma surpresa maravilhosa, meu pai comprou uma webcam o que fez
com que a gente conseguisse nos ver!! Foi emocionante!!
O mais gostoso é que estou
vendo várias pessoas querendo comprar os equipamentos mais adequados para se
comunicar com a gente... Esse carinho é maravilhoso!!
Como disse a minha prima Winny, na atual “conjuntura moratória indiano-situacional”, hehehehe...tudo
que se vê, se lê... se remete ao que estamos vivendo aqui na Índia. Adorei essa
expressão dela!!
E para aqueles que tem interesse de saber mais
sobre a Índia. Vou tentar colocar alguns links que eu andei pesquisando antes
da minha vinda pra cá. Aproveitando a deixa da Winny,
ela recomenda uma exposição que ela foi de um artista plástico indiano, Anish Kapoor, que está
acontecendo na CCBB. Li sobre ele e me parece
muito bom.
Tenho várias novidades para contar, mas resolvi
escrever antes sobre o nosso dia “7 de setembro”. E colocar as fotos das artes
que a Giulia, eu e minha mãe fizemos nesse dia.
Eu sei que muita gente entra na minha página e não
consegue deixar comentários por ter que se cadastrar no multiply. Então mandem
recadinhos para mim no orkut ou por e-mail!! Vou adorar!!
e-mail: poliane.cls@gmail.com
orkut: http://www.orkut.com/Home.aspx?xid=15733529849608534957
  
Depois de um acampamento de uma semana aqui nesse “alargamento”, finalmente chega a nossa mudança. Mas antes vou contar a minha aventura no dia anterior...
Alfândega, Armazém de containers – segunda-feira, 21/08/06
Eu e minha mãe queríamos a todo custo conhecer novos lugares e sair um pouco do apartamento, pois não queríamos ficar só fazendo faxina, né?? Hehe, alem disso minha mãe tinha dado um mal jeito com o tornozelo que não tinha como ficar fazendo limpeza e para quem conhece a minha mãe, sabe que ela não consegue ficar parada.
O Eduardo entendeu que seria interessante essa nossa saída com ele para retirar a nossa mudança na alfândega. Fomos todos, a família super-feliz passeando de carro pelas ruas de Delhi.
Um calor bem típico da Índia, que graças ao ar condicionado do carro não dá para sentir. Fomos observando pelo caminho o que se tinha de diferente. Sem sombra de dúvidas que a Índia está em grande crescimento, pois avistamos obras constantes em todos os lugares. Outra percepção é que os indianos não estão preparados para esse crescimento repentino. Um grande exemplo é o transito... é caótico!! Não existem sinais de transito praticamente aqui e a lei é de quem chega primeiro. (Vejam o link de um vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=VEELbpPSTzA&mode=related&search= )
Estávamos chegando bem próximo à entrada da alfândega do terminal de containers, quando entramos numa rua onde tinham “trocentos” caminhões estacionados no meio da rua e carros querendo sair na mesma mão que os carros queriam entrar. Enfim, o caos! E o mais engraçado é que todos os motoristas saem do carro para discutirem o que se deve fazer, mas o que na verdade é só uma questão de organização simples de respeitar as mãos das vias. Fora que não existe uma fiscalização de transito para multar os “trocentos” caminhões estacionados no meio da rua indevidamente. Com isso o nosso motorista resolveu desligar o carro e com isso desligou também o ar condicionado... Não dá para descrever o calor. Eu achava que o Rio de Janeiro era quente no verão, mas eu estava enganada!! Existem lugares mais quentes que o Brasil e para se ter uma idéia eu estou com brotoejas no meu pescoço, coisa que eu nunca tive! Ficar dentro do carro, abafado, sem ar...era a coisa pior que podia acontecer...e foi nesse momento que eu percebi o perrengue que eu estava me metendo. O pior é que eu vi que eu estava presa num engarrafamento e com a Giulia comigo! E isso era somente o inicio de um longo dia...
Finalmente o transito começou a andar, depois de muita discussão, pena que não fotografei. Estacionamos o carro e seguimos para um lugar onde só tinham homens. É inevitável olhar para eles da mesma forma que é inevitável ser olhada por eles. Aliás, todos os lugares sempre nos sentimos muito observados por todos, por sermos diferentes naturalmente. O calor continuava infernal... Sentamos numas cadeiras para aguardar os despachantes fazerem a verificação dos documentos, checagem do conteúdo da nossa mudança e valores para impostos. Enfim, nesse momento vem a informação de que demoraria entre duas a três horas. Quando eu soube disso, quase matei meu marido, mas ele não imaginava (será??). Eu ali com a Giulia e minha mãe com dor no tornozelo no meio daquela confusão com um calor infernal, sem lugar direito para ficar. Ok, né? Fazer o quê. O que me restou era sentar e aguardar.
Saímos desse setor e fomos em direção ao armazém. Verificaram os nossos passaportes... Isso debaixo de um sol escaldante. Eu e minha mãe, buscando qualquer sombrinha para amenizar o calor e proteger a Giulia. Enfim, entramos no armazém. Mais uma vez, rodeadas de homens nos observando. Um dos despachantes nos levou a uma sala para sentarmos e aguardarmos. Eu e o Eduardo fomos verificar a integridade da nossa mudança para autorização de encaminhamento para o nosso apartamento. Depois de pagarmos os impostos, ficamos aguardando os 124 carimbos para poder liberar e colocar a nossa mudança no caminhão!! Nem sei se é tanto carimbo assim, mas foi o que o Eduardo disse, perguntem a ele depois.
Fomos embora....até que enfim!! Eu já estava achando que esse dia nunca iria terminar!!....até que na saída não encontramos o caos do transito...Que bom!! Hehehe
Chegamos em casa exaustos, pedimos uma pizza da Domino’s ... que têm pimenta!!
Alias em todos os lugares e restaurantes tem que pedir “No Spice, Please!!” (Sem Pimenta, Por favor!!), pois tudo, tudo vem com uma pimenta e condimentos picantes....é impressionante. E fomos dormir.
Nossa mudança chega!! - terça-feira, 22/08/06
Finalmente chega a nossa mudança!!
Olha, até que eu tenho bastante coisas, hein? O que se tinha era caixas subindo... mas foi bem rápido o processo de subida e montagem dos móveis!
Uma coisa bacana é observar como funciona a questão da hierarquia aqui. A famosa “casta” deles é bem complicada para nós entendermos como funciona por termos uma cultura diferente, entender como funciona. Achei essa definição: Define-se casta como um grupo social hereditário, no qual a condição do indivíduo passa de pai para filho, endógamo, pois ele só pode casar-se com pessoas de seu próprio grupo. Estão predeterminados também sua profissão, hábitos alimentares, vestuário, etc., levando à formação de uma sociedade estática (ref.01)
Uma coisa que gostei muito dos indianos, é do jeitinho meigo deles de tratar-nos. Eles inclinam um pouco o corpo, muito parecido com o japonês, e para dizer sim ele elevam as cabeças para o lado direito do ombro. Para quem chega aqui, fica confuso achando que eles estão fazendo um sinal de “não”, mas na verdade é um gesto de afirmação.
Terminada a mudança, fomos descansar e nos demos um lanche do Mc Donald’s!! hehehehe. Eu sei que muitos de vocês devem estar me achando louca em querer um lanche do Mc Donald’s, mas a referencia dessa lanchonete era como um refugio para nós que não queríamos cozinhar e não queríamos comida apimentada. Mas infelizmente não tem sucos e outras coisas maravilhosas que o nosso Mc Donald’s Brasileiro tem. Enfim, precisamos nos adaptar até no Mc Donald’s... hehehe
Referencias:
1 – Wikepédia - Sistema de castas da India
http://pt.wikipedia.org/wiki/Sistema_de_castas_da_%C3%8Dndia
Nosso 1º passeio pela Índia
No nosso primeiro sábado resolvemos descansar de tanto fazer faxina no apartamento. É estou dando uma de Amélia todos os dias por aqui. O apartamento é muito grande e quando chegamos estava muito sujo. Para completar tem obras para todos os lados. Nas 3 fachadas que meu apartamento dá, tem obra acontecendo. Tirei umas fotos das vistas para vocês terem uma idéia do que estou falando. Tem uma coisa que tem aqui que é diferente do que acontece no Brasil... Os funcionários da obra (o famoso pião de obra) mora ao lado da construção. Eles trazem suas famílias, mulher e filhos, montam um “barraco” e ficam morando ali até a obra acabar. Isso ao longo das ruas é muito comum ver isso acontecendo, ainda mais por aqui que está tudo em construção.
Enfim, saímos de casa e fomos a caminho de Delhi. Para quem não sabe New Delhi é a capital da Índia. É uma das cidades mais antigas daqui. Aos poucos vou tentar descrever mais sobre a historia e curiosidades da Índia. O Eduardo é a pessoa mais indicada para isso, pois eu só consigo admirar mais a arquitetura... Será por que, né? Hehehe
Nosso primeiro passeio turístico foi num lugar chamado Hauz Khas Village. É um dos lugares mais antigos e medievais daqui. O local não é tão bem cuidado, mas para quem gosta de ruínas, como eu, fica encantado com o lugar. Tentei pesquisar sobre esse local na internet, mas não achei muitas informações. O que se sabe é este local era universidade da era medieval. O lugar é muito aprazível, tem um lago central, muito verde e pássaros por todos os lados. A mistura da natureza com as ruínas sempre me fascinaram bastante. Pena que o local não ofereça manutenção e cuidado que se merecem, pois os odores de urina entre as câmaras e lixos acumulados deixam o local com aspecto de abandonado.
Ao redor desse local, tem várias lojas, restaurante que me parecem de excelente qualidade. Após o nosso passeio, paramos num dos restaurantes chamado “Lê Café”. Confesso que escolhi este local pelo nome. Estou fugindo um pouco de comidas típicas daqui. Principalmente porque a Giulia estando com a gente, fica muito difícil de escolher algo para ela comer. Apesar do nome, a decoração era toda indiana... Hehe, mas foi um dos lugares mais gostosos que sentamos para comer até agora. Minha mãe experimentou a cerveja indiana (minha mãe gostou muito da cerveja), comemos uma pizza muito gostosa e pouco apimentada e muita batata frita. Coca-cola é que não falta em nenhum lugar do mundo!! Essa é a bebida mais apreciada por nós! Menos pela Giulia, que estou conseguindo mantê-la bem longe dos refrigerantes. Eles tinham alguns sucos de frutas e pedimos um de melancia para a Giulia...delicioso!
Eu sei que vocês estão curiosos em saber da gente e do que está acontecendo...
Mas infelizmente não tenho tido muito tempo para sentar todos os dias para colocar as novidades aqui. Por isso que meus textos têm sido bem resumidos. Tenho vários assuntos rascunhados para escrever... mas ainda não consegui fazer uma rotina com tantas coisas para fazer.
Olhem as fotos
   
Chegamos!!
Eram quase meia noite de terça-feira do dia 15 de agosto daqui da Índia. E a minha atenção era toda voltada para a Giulia e para a expectativa da minha mãe. Mas na chegada a minha mãe até que se surpreendeu bastante positivamente!!
Bem, antes de embarcarmos para Índia, minha maior preocupação com essa viagem era com a Giulia, pois como eu já tinha feito esse itinerário em fevereiro, sabia que era bem cansativo. Mais de 20 horas de viagem, sentada o tempo todo, comida não muito apetitosa do avião....enfim....tentei me precaver de tudo para que a Giulia se sentisse o mais a vontade possível durante a viagem.
Comprei algumas guloseimas e lanchinho para a Giulia, comprei um monte de revistinhas para ela colorir, mais um CD do ursinho Pooh para ela brincar no “laptop” e alguns bonequinhos pequenos que ela adora. E não foi preciso usar tudo, pois ela se comportou maravilhosamente bem!! A viagem foi tranqüila para ela. Aliais, acho que ela estava se divertindo muito com a novidade, o controle remoto da cadeira do avião para ouvir as musicas e trocar os canais de vídeo e entretenimento que o segundo avião proporcionava. Enfim, a viagem apesar de cansativa foi tranqüila.
Na chegada a Índia e após passar pela alfândega, que dessa vez foi surpreendentemente mais rápido, fomos para Gurgaon. Tinha um motorista nos esperando e a minha mãe já começou a prestar atenção em tudo, inclusive no cheiro típico daqui.
Chegamos no Condomínio e no nosso “alargamento”... hehe, eu digo alargamento, porque o apartamento é bem grande. Estamos com muito conforto de espaço aqui. Só faltam as mobílias!! Hehe. Até a nossa mudança chegar, ficaremos em acampamento aqui.
A adaptação ao novo fuso, o calor excessivo que faz aqui, faz com que a gente se sinta ainda muito cansados. Mas já estamos entrando no esquema.
Dia seguinte...
Após dormir...levantamos e fomos ver ao luz do dia como é a cidade que estamos morando. O Eduardo nos levou a um mercado para comprarmos algumas comidas e muita água. Ficamos por lá observando o que tinha de similar ao nosso país em relação a comidas e marcas.
Fomos a shoppings centers, compramos algumas utilidades domésticas para nos auxiliar no cozimento, já que minhas coisas ainda não chegaram...
Olhamos lojas de roupa, salão de beleza, fizemos lanche no Friday’s daqui.... (um capitulo a parte sobre a alimentação)
Já estamos nos ambientando bastante. Minha mãe já está querendo comprar um Saree ... Ela está adorando os tecidos lindos que tem por aqui!!
Estamos faxinando sempre o apartamento, pois tem obra para todos os lados aqui onde moramos. E como o apartamento é muito grande, fica difícil manter tudo limpo. Estou tirando aos poucos fotos do apartamento e da nossa vista.
Ainda está difícil para sentar e escrever, pois estou muito atarefada, ainda mais que estou mantendo meus trabalhos e tenho que sempre me manter informada dos acontecimentos.
Aos poucos vou me adequando a uma nova rotina e tentarei manter a pagina sempre atualizada sobre as nossas descobertas por aqui.
Por enquanto é só....
É meus amigos e parentes... Está chegando a hora da partida e a contagem regressiva já começou!! Estamos embarcando no dia 14 de agosto rumo a Índia. O Eduardo está chegando no dia 05 para vir nos buscar... Está quase tudo pronto. O Nosso apartamento já está alugado! A geladeira, o fogão e ar condicionado comprados e instalados... A Nossa mudança ainda não chegou  mas no dia 16 de agosto o Eduardo estará indo ao porto para a liberação da nossa mudança e logo em seguida deve estar chegando em nossa nova moradia. Estamos todos ansiosos...e eu louca para ir para a minha nova casa, organizar as minhas coisas, decorar o quarto da minha filhota que até hoje ela não tem.... Enfim amigos, peço a todos que orem por nós por essa nova fase da nossa vida!
É....começou a contagem regressiva....
Amanhã, quarta-feira dia 24 de maio, serão embalados todos os meus móveis da minha casa e do meu escritório para ser embarcado para a India.
O Eduardo esta embarcando no dia 30 de maio e eu ficarei com a Giulia morando temporariamente na casa da minha mãe.
A minha ida definitiva somente será quando o Eduardo montar o nosso apartamento e receber a nossa mudança. Enquanto isso curto um pouquinho ainda do nosso Brasil!! e o melhor, vou poder assistir a copa aqui, junto dessa eneria positiva!!
Não deixem de comentar!!
Sexta-feira, 17 de março de 2006.
Acordamos cedo e fomos ao escritório que fica na cidade chamada Gurgaon. No caminho até o escritório pude ver melhor as pessoas e os automóveis.
Essa cidade é mais nova e com mais infra-estrutura. Prédios comerciais moderníssimos, Shoppings, Condomínios residenciais de vários tipos. O entorno continua o mesmo, sempre feio, sujo, poeirento, pessoas extremamente simples e pedintes. ÉH! Aqui também tem pedintes, com a diferença que eles ainda não aprederam a arte do malabarismo com as bolas. Crianças sem roupas sentadas no chão de terra, adolescente cuidando dos menores, mães ordenando as crianças virem nos abordar...
Aqui não chove desde setembro do ano passado e não vi nenhum rio, lago...Então, a sensação de sujeira é muito maior e as pessoas que moram na rua, parecem desconhecer a palavra banho. Se for um costume de não tomar banho, fico na dúvida se os de classe superior também não o fazem, pois o odor desagradável de desodorante vencido é muito comum por aqui. Será que vendem desodorante aqui??
Falando em cheiro, os lugares que entramos sempre têm cheiro de tempero, não dos os que estamos acostumados, mas de têmpero tipicamente indiano. Imagine um cheiro forte de têmpero misturado com suor e outras coisas...é exatamente isso que sentimos em diversos lugares por onde passamos.
Chegamos no escritório. Muito bonito, o prédio é moderno. Chegamos no andar e fomos abordado por um tipo de segurança do andar e como em todos os lugares, sem exceção, assinamos um livro de presença. Fui diretamente para a sala do presidente da empresa, ele se chama Heinz. Ele é suíço e está morando aqui há uns 2 anos. Ele e o Eduardo conversaram em Inglês e eu tentando entender com as minhas poucas palavras já colecionadas...hehe. Fomos depois na sala do gerente Dilip. Ele é indiano e muito simpático, e com uma autoridade bem forte, pois assim que ele nos viu, expulsou duas pessoas que estavam com ele. Novamente ele e o Eduardo ficaram conversando e eu tentando entender o inglês. Papearam tanto que a minha atenção não conseguiu se prender muito tempo a eles, e claro comecei a exercer o que mais gosto, ficar observando a arquitetura e as pessoas em volta. Como arquiteta de interiores na área corporativa, percebi que o projeto daqui é muito parecido com o nosso. O mais engraçado é a cor dos pilares do escritório...É azul, igual projetei para a mesma da companhia deles no Brasil. Depois de tanto observar os detalhes construtivos percebi num canto várias pessoas em roda conversando...E derrepente vejo uma cabeça levantando e olhando em nossa direção...obviamente deviam estar fofocando sobre nós...Hehe.
Logo depois chegou um corretor de imóveis que nos levou para ver dois apartamentos. GIGANTESCOS!! Todos os apartamentos aqui são muito grandes...É impressionante. Acho que estamos acostumados a viver apertados. Aqui como se tem espaço e de sobra, os apartamentos são muito grandes, posso comparar com os apartamentos de luxo do Flamengo, Larajeiras, Barra e São Conrado. São coisas de 250m2 para cima...
Voltamos para o escritório e fomos almoçar num restaurante em frente ao prédio. Comemos uma comida tipicamente Indiana e foi a minha primeira experiência...O que dizer...ÁGUA!! EU PRECISO DE ÁGUA!!...Gente, é muito a pimentada a comida. Para quem me conhece bem, sabe que eu adoro comida apimentada, com têmpero. Quando saboreio as nossas comidas típicas, como uma boa Cardoso que sou (né mãe?), adoro colocar as nossas pimentas. Mas a deles é fora do comum...É muito mais apimentada!! Nesse restaurante comemos dois tipos de prato, um com frango, muito saboroso e levemente picante, outro com carneiro, esse bastante apimentado. Dois acompanhamentos bem picantes também. Um pãozinho muito saboroso que foi a salvação para amenizar o ardência da pimenta.
Depois fomos a alguns shoppings...No caminho é intrigante o contraste. Prédios moderníssimos com o péssimo urbanismo em volta. A rua é asfaltada, mas não existe calçamento para pedestres. Todos os tipos de pessoas você visualiza na rua...Da mais pobre até a mais rica. Aqui para se locomover ou você tem um carro, ou vai no riquixá motorizado ou riquixá de bicicleta.
Vocês se lembram da música do Titans, Miséria. Pois é...Aqui percebi com muita clareza e meditei sobre a letra dessa música e gostaria muito que vocês olhassem as fotos com o titulo: Miseria, Miseria em qualquer canto... Não consegui tirar mais fotos, pois é muito constrangedor tirar fotos deles, principalmente com eles olhando. Mas acho, que as que eu tirei, dá para ter uma idéia. E mais, se parece muito com a nossa miséria.
Fomos convidados a jantar na casa do Heinz e quando chegamos lá, fui surpreendida com a cunhada dele falando um belíssimo português. Como é bom ouvir português, principalmente quando ninguem mais o fala!! Foi uma noite divertidíssima, antes do jantar ficamos papeando na sala de estar comendo alguns petiscos e bebericando. Depois no foi servido um jantar tipicamente indiano...Lá vou eu de novo, pedir água...Que bom! não estou com cara que estou pegando fogo, a comida está na medida exata ao meu paladar!! Fiquei preocupada com o Eduardo, pois italianado e chato igual a ele não há. O prato era um tipo de miojo com frango ensopado e colocava-se por cima: alho poró, salsinha, cebolas fritas e...Perai, pimenta malgueta! Depois me dei conta que nossos condimentos vieram tudo daqui. Para a sobremesa era tipo um doce de cenoura e como toque especial de cravos da India...não podia faltar, né?? Durante a janta
Saimos de lá com vontade de morar naquele mesmo condomínio só para ser vizinhos deles. Ah! Meu inglês continua o mesmo, mas a minha compreensão está muito melhor...Já estou respondendo algumas perguntas e rindo de certos comentários, mas ainda não ouso a elaborar uma frase.
Amanhã tem mais...
Quinta-feira, dia 16 de fevereiro…
Depois do meu café da manhã, como o Eduardo não tinha chegado, aproveitei para escrever sobre a minha chegada na Índia.
Assim que ele chegou, fomos para a embaixada do Brasil. Foi nesse momento em que fui conhecer a Índia, ou melhor ver a Índia a luz do dia, pois ontem não deu para ver quase nada!!
Bem, como descrever a Índia, lembram daquela música da Ivete Sangalo que virou hit da torcida do flamengo? Pois é...Vou adaptar: ...Poeiraaaaaaaaaaa!...Poeiraaaaaaaaaaaaa!...Poeiraaaaaaa...aqui só tem poeira!!
É serio, aqui tem muita poeira. Os terrenos são de terra fofa em todos os lugares, e para completar a cidade é um canteiro de obras. Obra para todos os lados. Percebe-se que a cidade está em crescimento o que nos faz lembrar um pouco da Barra da Tijuca com o seu crescimento repentino. Tirei algumas fotos dentro do carro, mas não sei se conseguirão visualizar com o mesmo sentimento que eu tive.
No início do caminho até a embaixada em New Delhi, eu achei a cidade feia, suja e sem cuidados urbanísticos, mas com tanta obra que a gente vê, acredito que esse quadro tende a melhorar. As informações que tenho do Brasil sobre a Índia, é que está crescendo muito, e bem mais que o Brasil.
Quando estávamos chegando próximo à embaixada, me surpreendi com canteiros floridos, avenidas recém-construídas e limpas!! Hehe...digo isso porque no início só via sujeira. Beleza, fiquei mais animada!!
O motorista se perdeu, e pelo visto já tinha se perdido com o Eduardo quando ele o levou para o escritório, ele comentou comigo logo em seguida que ele parava toda hora no meio da rua para telefonar. Bem, fiquei na dúvida agora... não sei se achei o local bonito, ou se passamos diversas vezes pelo mesmo local... Enfim, o motorista parou duas vezes para perguntar e chegamos finalmente na embaixada.
No portão de entrada fomos abordados por um segurança. Em minha mente lembrei de alguns comentários sobre embaixadas e consulados e sei que esses territórios pertencem ao país que ele representa. Estava com o meu passaporte na mão e o Eduardo falando em inglês com o segurança, antes mesmo deles terminarem a conversa e solicitassem algum documento, eu prontamente levantei o passaporte e na mesma hora. O segurança visualizou o documento e abriu a porta sem mais fazer perguntas. Me senti tão bem com aquela atitude que só confirma que eu estava em meu território. Assinamos um livro de presença, entramos numa sala com um guichê e já solicitamos a presença da Arlete, pois já sabiamos a quem procurar. Como é bom ouvir português quando se está longe de casa...É música para os meus ouvidos!! E ela é simpatissíma. Papeamos e ela parece não gostar muito de morar na Índia. Nos recomendou: ter cuidado com roubo de passaporte (aqui também se assalta...), se alimentar somente em bons restaurantes (não existe vigilante sanitário e a higiene não é boa), só beber água mineral e outras coisas que denegriram a imagem da Índia. Ela mora há 2 anos aqui, e não sabe se sobreviverá os mais 3 anos que ela tem que ficar. Além das perguntas impertinentes sobre a nossa estadia aqui na Índia, perguntei sobre a possibilidade d’eu trabalhar, e se o meu diploma de arquitetura valia aqui na Índia. Ela não sabia responder, mas existe uma brasileira que trabalha para a embaixada, que poderia nos responder sobre isso, pois ela também é arquiteta e foi chamá-la. Conhecê-la salvou o nosso dia e as nossas expectativas de vir morar aqui. O nome dela é Hiroko, ela é descendente de japoneses, brasileiríssima, casada com Índiano e mora aqui na Índia há 30 anos. Falamos sobre tantas coisas que fica difícil enumerar. O mais importante de tudo é que posso fazer um mestrado ou pós-graduação, além de tentar trabalhar com algum arquiteto renomado (ela conhece todos eles), já que para me registrar como arquiteta na Índia é muito burocrático. Ela foi professora numa universidade chamada School of Planning and Architecture, e pelo o que ela falou parece uma excelente universidade. Aliás, o forte aqui na Índia são os estudos, e muitos deles vão trabalhar fora do país pela habilidade com os números.
Tive informações sobre a Índia que me preocupava, e muito. Com esse bate-papo com a Hiroko, minhas espectativas mudaram completamente. Dados como religião, por exemplo. Os Índianos parecem respeitar muito as demais religiões e existem algumas igrejas cristãs. Algumas católicas e outras protestantes, que ela não soube ao certo dizer qual delas. Mas fiquei animada em saber que poderei visitar uma possível igreja da minha religião.
Outro dado que tínhamos da cultura deles, é que são pouco gentis e mal-educados, não falando “por favor” e nem “obrigado”. Pelo o que ela falou, isso depende muito da localização e do indivíduo. Acredito que só o convivio com eles é que poderemos tirar as nossas conclusões. Falamos também sobre o melhor local para morarmos e parece que na cidade de Gurgaon, onde fica o escritório do Eduardo, será ideal. Ela falou que existem shoppings-centers.
Gentem...!! Tem shopping!!! Será que estou sonhando??
Existem condomínios fechados com infra-estrutura, deve ser similar aos condominios da Barra. Bem, vamos lá amanhã e veremos com os nossos próprios olhos.
Na saída, a Arlete, que ficou íntima da gente também, já nos solicitou que trouxéssemos na nossa bagagem polvilho de mandioca para fazer tapioca. A Hiroko fazendo beicinho pedindo para trazer também pão-de-queijo...hehe...e para a gente não esquecer de trazer para nós também!! É mole??
Voltamos para hotel, e mais animados...
Amanhã tem mais...
O Eduardo se empolgou!! E quer me ajudar a escrever o nosso dia-a-dia aqui na Índia.
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Após acordar, meio que cambaleante, com duas horas de sono e depois de 22 horas de viagem é dose pra mamute, fiz o que sempre fiz quando viajo a trabalho. Espero o táxi que a empresa sempre me disponibiliza para ir ao escritório. Antes do horário me ligam dizendo que o carro estava a minha espera. Me apressei e ao chegar ao Lobby do hotel, não havia ninguém senão as recepcionistas. Perguntei sobre o taxista e me avisaram que não havia nenhum, mas que eu poderia pegar um na rua.
Vocês sabem o que é um taxi na Índia??? Hahaha, nem a pau juvenal. Eu não pego essa joça. Taxi na Índia é conhecido como Tuk-Tuk. Uma onomatopéia do som da moto que puxa uma boleia para três passageiros. A Poliane vai mostrar as fotos.
Rodei por alguns minutos e a telefonista me passa o telefone de uma pessoa querendo falar comigo. Era o taxista dizendo que estava me esperando e perguntando se eu ia demorar muito.
Disse que estava no lobby do hotel esperando e pedi para que ele viesse até a portaria para me buscar. Ele entào informou que o número dele era 3004. Ok, agora vai ser fácil... estou esperando um carro com o número 3004 pintado na lataria. Deve ser um serviço de motoristas privados, é o mesmo esquema do Chile. Perfeito. Espero.
15 minutos e nada. Cadê o desgraçado (nesse momento o “Senhor motorista” passa a ser “desgraçado irresponsável”)?
Fui até o concierge e perguntei onde ficavam esperando os motoristas que vem buscar os hospedes do hotel e ele me informou que existia um estacionamento. Fui eu até o estacionamento. Pensei, será que “Lobby” quer dizer estacionamento aqui na Índia? Não é possível...
Fui no estacionamento e só haviam carros. Óbvio, nenhuma alma no estacionamento. Voltei para o lobby e reparei em uma picape CRV da Honda, alta, bonita e lustrosa... Pensei. Carro maneiro, deve ser de algum marajá daqui. Eis que sai do carro um baixinho, perguntando ao concierge se podia voltar a ligar para o quarto 225 outra vez, que seu “master” estava atrasada e ele não queria ser culpado pelo atraso dele.
- Epa... 225 é o meu quarto. Disse eu em português mesmo...
- I beg your pardon, sir! Did you talk to me? – disse o baixinho.
- Exatamente, meu nome é Eduardo e estou esperando um motorista.
Aí então o baixinho me mostra a Ordem de serviço em nome do Sr. Eduardo Latta. Número da Ordem de serviço era 3004.
Raios que me partam, vamos sair logo daqui e ir para o escritório. O Inglês do baixinho era de matar, muito arrastado e com palavras salteadas. Perguntei o nome do cara e ele me respondeu alguma coisa que preferi achar que respondeu o nome dele. O Som era algo como Musherejarara!!! Perguntei de novo e saiu algo diferente. Desisti de entender o nome do cara e comecei a chamá-lo de Chico.
Meu motorista era muito bom, parou três vezes na estrada para ligar não sei pra quem para saber como se chegava no endereço do escritório. Agora o mais interessante. Quando eu digo que ele parou para ligar, significa que ele parou para ligar. Simples assim. Em uma avenida como a Av. Presidente Vargas no Rio de Janeiro, o malandro me para o carro no meio da rua para telefonar e dane-se quem está atrás ou se o tráfego vai parar.
Ao chegar no escritório perguntei quanto era o transporte e ele me disse que estaria a minha disposição 24hs por dia até a minha volta no dia 21/02. Mas não é que eu estou ficando chique...
Mandei ele comer alguma coisa, pois eu não demoraria muito e tinha que ir até a embaixada com a Poliane.
Ao chegar no escritório, primeira coisa que perguntei era se o negócio de 24hs era sério. Confirmado. Beleza!!!
No escritório falei com o cara que eu vou substituir e o responsável pela burocracia... Problemas a vista. O acertado era que eu viria pra cá definitivamente em 15/04, eles querem que eu venha em 01/04 porque o cara que eu vou substituir sairá de férias em 14/04. Isso faria com que eu perdesse a festa de 2 anos da Giulia... Nem a pau, Juvenal. Vocês que são brancos que se entendam, só apareço aqui novamente em 17/04.
Uma coisa me preocupou. Dentro do escritório, tinha percebido um mexe-mexe anormal quando eu cheguei, depois fui saber que eram as pessoas querendo saber quem era que ia substituir o Dilip. Epa!!! Mas isso ainda não estava em sigilo? Todos já sabem que serei eu? No Brasil, ainda não sabem de nada. A proposta não estava condicionada a um aceite da Poliane e eu sobre a possibilidade de sobrevivermos na Índia? Acho melhor a resposta ser positiva, se for negativa, teremos problemas de quebra de expectativa.
Durante as conversas com o Dilip, vi muita submissão e respeito à figura do chefe. Onde o Dilip ia, as pessoas que não estavam fazendo o seu trabalho diário, ou porque estavam em reunião, ou porque estavam fumando, se levantavam ou saiam do recinto para que eu e o Dilip ficássemos a sós para conversar. Reunião foi interrompida, porque eu queria usar um telefone. Não gostei disso. Cheguei a cheirar o meu próprio suvaco para saber se estava fedendo. Dilip disse que era respeito pelo superior. Continuei não gostando, disso!!!
Fechado nosso cronograma de viagem. Hoje ainda dia 16 vamos ao consulado. Amanhã 17 vamos ver casas e lojas de eletrônicos.
Sábado veremos mais casas e domingo teremos o dia livre. Vou bundear com a Poliane pela rua.
Segunda, a esposa do Heinz nos acompanhará a um grpo de mercados para simular compras do mês. Teremos também esse dia para ver possibilidade de colégios para a Giulia.
Voltando para o Hotel, um trajeto que de ida foi de 15 minutos demorou 1 hora, porque o “Chico” pegou um trajeto diferente. Acho que vou ter problemas com esse cara.
Conclusão do dia:
- Um bom planejamento é fundamental para economizar tempo. Acho que fizemos um bom plano
- Poliane vai falar sobre a embaixada. Salvou nosso dia. Procurar referências da embaixada ajudou muito a entender o que fazer. E dar mais segurança do planejado.
- Não subestime o efeito do fuso-horário (jet leg). Dormir às 13:00 sem ter almoçado não é normal e te faz perder a concentração.
- Dicas para minimizar o jet leg.
o Force-se a comer na hora certa. O Metabolismo acelerado faz adaptar mais rápido
o Exponha-se ao sol. O sol estimula o metabolismo.
o Não durma fora do horário. Só piora a sensação de cansaço
Gente, o Eduardo conseguiu o que eu não consegui. Falar desse dia para mim foi tão complicado... E o Eduardo conseguiu em detalhes descrever como foi a revelação da nossa ida para Índia.
Chorem conosco...
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Quando a Poliane me disse que iria escrever um diário para contar as emoções dessa nossa decisão, confesso que o vi como uma coisa secundária, sem a importância que mereciam outros temas como planejar a transição, organizar bem o tempo que teríamos na Índia para tirar todas as dúvidas possíveis e até mesmo organizar a saída do meu trabalho e do dela. Afinal, mais que dizer o que est |
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