Gente, o Eduardo conseguiu o que eu não consegui. Falar desse dia para mim foi tão complicado... E o Eduardo conseguiu em detalhes descrever como foi a revelação da nossa ida para Índia.
Chorem conosco...
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Quando a Poliane me disse que iria escrever um diário para contar as emoções dessa nossa decisão, confesso que o vi como uma coisa secundária, sem a importância que mereciam outros temas como planejar a transição, organizar bem o tempo que teríamos na Índia para tirar todas as dúvidas possíveis e até mesmo organizar a saída do meu trabalho e do dela. Afinal, mais que dizer o que estávamos sentindo, é importante cuidar e pensar também naqueles que estão indo, e dos que estão ficando. Isabella e Fátima que trabalham para a gente. Não há como desampará-los em um momento ótimo para nós. Principalmente elas que estiveram ao nosso lado quando as coisas começaram a dar certo pra gente e dependem de nossos rendimentos para ganhar pelo merecido esforço. Tão certo que pintou a proposta.
Vendo os primeiros textos da Poliane, vi que isso poderia nos ajudar a organizar as coisas. Ver o que já vimos para não repetir ou esquecer. Registrar o que sentimos em algumas situações-chave pode ser que ajude se houver uma próxima. Não cometer os mesmos erros ou repetir as situações exitosas. Ajudar quem tiver que passar pela mesma situação, ou outra parecida.
Bem... Sendo assim, aí vão meus relatos e sentimentos. Espero não entediar ninguém, geralmente sou prolixo quando me abro. Se estiver atrapalhando a leitura dos escritos da Poliane, mandem-me um email rapidamente que eu paro de escrever. Tenho certeza que os relatos da Poliane serão muito mais interessantes do que os meus.
Prometo que só escrevo sobre aquilo que vivi sozinho. Não quero que a mesma coisa seja descrita sob dois pontos de vista diferentes. Vai ficar tedioso, creia-me. Sendo assim farei aportes nos textos da Poliane quando ela descrever algo vivenciado comigo. Ok?
Expostas as regras (não consigo viver sem elas)... Enfim... Como foi pra mim o dia C (C de contando pra família)?
Lá vou eu chorar de novo... Não posso me lembrar disso sem chorar.
Duas semanas se passaram desde o aceite dado para a empresa, e o contar para a família. Isso porque meu irmão do meio está morando em Salvador e eu não admitia falar com ele sobre isso por telefone. Tinha que receber o abraço dele na real e não via Embratel (via Embratel entrega a idade...).
Pois bem, Vladimir com vinda marcada para a primeira semana de fevereiro e eu ensaiando todo o tempo como falar. Tenho certeza que a Poliane também tinha uma agonia de falar logo e ela sabia dessa minha aflição. Veladamente havia um acordo de que um não falasse do assunto para o outro para que os dois não quebrassem a promessa de dar a notícia para as duas famílias juntas.
Quem são as duas família??? Se for pela consideração de irmão, vai Cláudio e André (meus irmãos mais velhos, assim os considero), minha madrinha etc... Pela parte da Poliane, vai Martha, Léa, Roger, Winnie, Anne... Peraí.. Não tenho dinheiro pra bancar um churrasco para tanta gente...
La vem as regras novamente. Só serão convidados os pais (o meu faleceu e o da Poliane está em São Paulo – Aí são menos duas bocas), Mães (As duas estão vivas, mas só a minha sogra tem um companheiro), irmãos (dois do meu lado Vladimir e Filipe. E uma pelo lado da Poliane, a Poline), e os respectivos conjuges malas, ou quase isso (Minha cunhadinha Fernanda, que é mala amada, idolatrada, salve-salve; e o mala do namorado da Poline, o Rodrigo, que é um cara que já entrou no nosso coração).
Bem... 10 pessoas mais duas crianças... Dá pra fazer uma graça. Comprei a carne e refrigerante. Não comprei nem cerveja, pois desse grupo só eu e minha mãe bebemos alcóolicos e mesmo assim, nada que assuste. Combinei com a dona Cheila (minha mãe) e nada de cerveja. Na realidade tudo era um estratagema para garantir que eu não ficasse bêbado antes de dizer o que eu tinha que dizer.
No fatídico dia, deu tudo como eu “devia” planejar, e nada como “foi” planejado. A minha madrinha apareceu na casa da minha mãe como sempre aparece todos os domingos. O André apareceu com a Juliana, esposa dele, como também era de esperar. Ele vai visitar a mãe todo domingo e também aparece na casa da minha mãe. Tudo razoável e entendível, principalmente por que o Vladimir estava aparecendo no Rio pela primeira vez no ano. Óbvio, todos iam vê-lo, nem que fosse para perguntar como ele estava passando em Salvador. Como meu irmão não sabia de nada, convidou ainda um amigo para aparecer no domingo para bater um papo e acertar as coisa para o carnaval. Pronto, estava desfeito o planejamento. André e Alex bebedores bom de copo e eu não ia ficar vendo esses caras de bico-seco. Lá vou eu atrás de gelo e cerveja... No final, todos alimentados e sem sede. Tá na hora de falar.
- Ham Ham... Bem... Sabem como é... Vocês me conhecem e sabem que eu não juntaria todos aqui sem um propósito... Nunca fui de festejar sem motivo... - comecei gagejando.
- Eu sabia, eu sabia que esse meu genro ia aprontar alguma... Eu sabia. - Dizia minha sogra sorridente!!!
- Calma sogrinha. Sua filha não está grávida!!! É que eu recebi uma proposta para trabalhar fora do Rio. - Disse eu, olhando para os lados onde não havia ninguém.
- Eu sabia, eu sabia que esse meu genro ia aprontar alguma... Eu sabia. - Seguia dizendo minha sogra, já sem o sorriso nos lábios.
- A cidade que eu, Poliane e Giulia vamos... fica na Índia... (essa última frase eu falei bem baixinho.)
- Eu sabia, eu sabia que esse meu genro ia aprontar alguma... Eu sabia. - Seguia dizendo minha sogra, agora com muitas lágrimas nos olhos.
O que falar depois disso? Abraços embargados, sorrisos amarelos, mas a certeza que o sentimento de tristeza era única e exclusivamente por ter percebido que aquilo era na verdade uma despedida dos momentos fortuítos que temos. Agora ao se reunir será sempre para reencontros e eventos que passarão a ser obrigatórios, pois os abraços serão sazonais. Sempre no verão e perto do natal... Nada de churrasquinho em feriados bancários... Isso acabaria por um período mínimo de 3 anos.
Brindamos, choramos, sorrimos e nos regozijamos.
O fato mais singelo e bonito dessa reunião regada com pranto, não foi fotografado. Não foi filmado. Não foi registrado com nenhum tipo de imagem em papel. Mas tenho certeza... que na mente de todos... estará pra sempre a imagem da minha filhona Giulia (1 ano e 10 meses), pegando um guardanapo na mesa e indo enxugar as lágrimas da avó que chorava ao perceber que perderia o contato, quase que diário, com sua única neta.
Essa me fez voltar a chorar.
Dia seguinte, o fato só faltou estar nos jornais. Não pensei que a notícia ia se espalhar com tanta rapidez.
Fatos especiais merecem destaque. Cláudio e seu email de páginas, além das horas no telefone. Christina, meus primos. André e o papo sobre a percepção do Armando, amigo dele que trabalha na mesma área que eu, só que em uma empresa concorrente. Email da Winnie também. Vinícius, irmão da Christina, que quer fazer uma festa de despedida com motivos dos anos 80. Já está até marcada, é dia 08/07/2006.
Valeu a todos pela força a todos. Foi muito importante receber esse carinho de todos eles.
Conclusão do dia:
- Não há como planejar uma situação dessas.
- Sua família o apoiará mais do que você imagina.
- Seu filho entenderá a situação mais do que você imagina
- Não existe decisão melhor do que aquela em que você tomou junto com seu conjuge e filhos. Somente quem vai é que te suportará quando a mudança for consumada, ou que lamentará uma oportunidade perdida se a resposta for não.