Blog Entry1o dia (pelo Eduardo)Feb 17, '06 4:20 PM
for everyone

O Eduardo se empolgou!! E quer me ajudar a escrever o nosso dia-a-dia aqui na Índia.

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Após acordar, meio que cambaleante, com duas horas de sono e depois de 22 horas de viagem é dose pra mamute, fiz o que sempre fiz quando viajo a trabalho. Espero o táxi que a empresa sempre me disponibiliza para ir ao escritório. Antes do horário me ligam dizendo que o carro estava a minha espera. Me apressei e ao chegar ao Lobby do hotel, não havia ninguém senão as recepcionistas. Perguntei sobre o taxista e me avisaram que não havia nenhum, mas que eu poderia pegar um na rua.

Vocês sabem o que é um taxi na Índia??? Hahaha, nem a pau juvenal. Eu não pego essa joça. Taxi na Índia é conhecido como Tuk-Tuk. Uma onomatopéia do som da moto que puxa uma boleia para três passageiros. A Poliane vai mostrar as fotos.

Rodei por alguns minutos e a telefonista me passa o telefone de uma pessoa querendo falar comigo. Era o taxista dizendo que estava me esperando e perguntando se eu ia demorar muito.

Disse que estava no lobby do hotel esperando e pedi para que ele viesse até a portaria para me buscar. Ele entào informou que o número dele era 3004. Ok, agora vai ser fácil... estou esperando um carro com o número 3004 pintado na lataria. Deve ser um serviço de motoristas privados, é o mesmo esquema do Chile. Perfeito. Espero.

15 minutos e nada. Cadê o desgraçado (nesse momento o “Senhor motorista” passa a ser “desgraçado irresponsável”)?

Fui até o concierge e perguntei onde ficavam esperando os motoristas que vem buscar os hospedes do hotel e ele me informou que existia um estacionamento. Fui eu até o estacionamento. Pensei, será que “Lobby” quer dizer estacionamento aqui na Índia? Não é possível...

Fui no estacionamento e só haviam carros. Óbvio, nenhuma alma no estacionamento. Voltei para o lobby e reparei em uma picape CRV da Honda, alta, bonita e lustrosa... Pensei. Carro maneiro, deve ser de algum marajá daqui. Eis que sai do carro um baixinho, perguntando ao concierge se podia voltar a ligar para o quarto 225 outra vez, que seu “master” estava atrasada e ele não queria ser culpado pelo atraso dele.

-          Epa... 225 é o meu quarto. Disse eu em português mesmo...

-          I beg your pardon, sir! Did you talk to me? – disse o baixinho.

-          Exatamente, meu nome é Eduardo e estou esperando um motorista.

Aí então o baixinho me mostra a Ordem de serviço em nome do Sr. Eduardo Latta. Número da Ordem de serviço era 3004.

Raios que me partam, vamos sair logo daqui e ir para o escritório. O Inglês do baixinho era de matar, muito arrastado e com palavras salteadas. Perguntei o nome do cara e ele me respondeu alguma coisa que preferi achar que respondeu o nome dele. O Som era algo como Musherejarara!!! Perguntei de novo e saiu algo diferente. Desisti de entender o nome do cara e comecei a chamá-lo de Chico.

Meu motorista era muito bom, parou três vezes na estrada para ligar não sei pra quem para saber como se chegava no endereço do escritório. Agora o mais interessante. Quando eu digo que ele parou para ligar, significa que ele parou para ligar. Simples assim. Em uma avenida como a Av. Presidente Vargas no Rio de Janeiro, o malandro me para o carro no meio da rua para telefonar e dane-se quem está atrás ou se o tráfego vai parar.

Ao chegar no escritório perguntei quanto era o transporte e ele me disse que estaria a minha disposição 24hs por dia até a minha volta no dia 21/02. Mas não é que eu estou ficando chique...

Mandei ele comer alguma coisa, pois eu não demoraria muito e tinha que ir até a embaixada com a Poliane.

Ao chegar no escritório, primeira coisa que perguntei era se o negócio de 24hs era sério. Confirmado. Beleza!!!

No escritório falei com o cara que eu vou substituir e o responsável pela burocracia... Problemas a vista. O acertado era que eu viria pra cá definitivamente em 15/04, eles querem que eu venha em 01/04 porque o cara que eu vou substituir sairá de férias em 14/04. Isso faria com que eu perdesse a festa de 2 anos da Giulia... Nem a pau, Juvenal. Vocês que são brancos que se entendam, só apareço aqui novamente em 17/04.

Uma coisa me preocupou. Dentro do escritório, tinha percebido um mexe-mexe anormal quando eu cheguei, depois fui saber que eram as pessoas querendo saber quem era que ia substituir o Dilip. Epa!!! Mas isso ainda não estava em sigilo? Todos já sabem que serei eu? No Brasil, ainda não sabem de nada. A proposta não estava condicionada a um aceite da Poliane e eu sobre a possibilidade de sobrevivermos na Índia? Acho melhor a resposta ser positiva, se for negativa, teremos problemas de quebra de expectativa.

Durante as conversas com o Dilip, vi muita submissão e respeito à figura do chefe. Onde o Dilip ia, as pessoas que não estavam fazendo o seu trabalho diário, ou porque estavam em reunião, ou porque estavam fumando, se levantavam ou saiam do recinto para que eu e o Dilip ficássemos a sós para conversar. Reunião foi interrompida, porque eu queria usar um telefone. Não gostei disso. Cheguei a cheirar o meu próprio suvaco para saber se estava fedendo. Dilip disse que era respeito pelo superior. Continuei não gostando, disso!!!

Fechado nosso cronograma de viagem. Hoje ainda dia 16 vamos ao consulado. Amanhã 17 vamos ver casas e lojas de eletrônicos.

Sábado veremos mais casas e domingo teremos o dia livre. Vou bundear com a Poliane pela rua.

Segunda, a esposa do Heinz nos acompanhará a um grpo de mercados para simular compras do mês. Teremos também esse dia para ver possibilidade de colégios para a Giulia.

Voltando para o Hotel, um trajeto que de ida foi de 15 minutos demorou 1 hora, porque o “Chico” pegou um trajeto diferente. Acho que vou ter problemas com esse cara.

Conclusão do dia:

-          Um bom planejamento é fundamental para economizar tempo. Acho que fizemos um bom plano

-          Poliane vai falar sobre a embaixada. Salvou nosso dia. Procurar referências da embaixada ajudou muito a entender o que fazer. E dar mais segurança do planejado.

-          Não subestime o efeito do fuso-horário (jet leg). Dormir às 13:00 sem ter almoçado não é normal e te faz perder a concentração.

-          Dicas para minimizar o jet leg.

o       Force-se a comer na hora certa. O Metabolismo acelerado faz adaptar mais rápido

o       Exponha-se ao sol. O sol estimula o metabolismo.

o       Não durma fora do horário. Só piora a sensação de cansaço


winnysoyat wrote on Feb 20, '06
"Chico" foi ótimo! Ri muito sozinha lendo esses textos de vocês... Bjo grande!
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